Por Redação | 3 de fevereiro de 2026
A Câmara Municipal do Recife rejeitou, na manhã desta terça-feira (3), o pedido de abertura de processo de impeachment contra o prefeito João Campos (PSB). Em uma sessão marcada por galerias lotadas, trocas de ofensas e reforço policial, o plenário decidiu pelo arquivamento da denúncia por 25 votos a 9. Houve ainda uma abstenção e duas ausências de registro de voto.
O pedido, protocolado pelo vereador Eduardo Moura (Novo), baseava-se em supostas irregularidades na nomeação de um candidato para o cargo de procurador municipal em uma vaga destinada a Pessoas com Deficiência (PCD). A oposição acusava a gestão de “furar a fila” do concurso público, enquanto a base governista classificou a ação como “oportunismo eleitoral”.
O Placar e o Rito Legislativo
Para que o processo fosse adiante, era necessária a aprovação por maioria simples dos presentes. A base aliada do prefeito, contudo, demonstrou solidez.
| Resultado da Votação | Votos |
| Contrários ao impeachment | 25 |
| Favoráveis ao impeachment | 9 |
| Abstenções | 1 |
| Não registraram voto | 2 |
O autor da denúncia, Eduardo Moura, precisou se licenciar do mandato para que seu suplente, George Bastos (Novo), pudesse votar, seguindo o rito legal. Mesmo fora da cadeira de votação, Moura utilizou a tribuna para defender a investigação: “Não é Eduardo contra João, é um vereador tentando fazer o certo. Clamo pela grandeza deste mandato para investigar”, declarou.
Clima de Guerra: Galerias e Protestos Externos
O entorno da Casa José Mariano transformou-se em um cenário de conflito. Do lado de fora, militantes ligados ao MBL (Movimento Brasil Livre) e setores bolsonaristas entraram em confronto verbal e físico com apoiadores do prefeito. A Polícia Militar precisou intervir, formando um cordão de isolamento para separar os grupos.
A polêmica estendeu-se ao acesso ao plenário. Grupos de oposição denunciaram que foram impedidos de entrar, alegando que a segurança da Casa teria priorizado a entrada de claque governista.
“Estamos sendo barrados na casa do povo, enquanto lá dentro fazem um teatro para salvar o prefeito”, afirmou um manifestante em transmissão ao vivo que viralizou nas redes sociais.
Vídeos registrados no local mostram o momento em que manifestantes tentam forçar os portões, gerando empurra-empurra e gritos de “ditadura” e “blindagem”.
A Defesa do Governo
O líder do governo na Câmara, Samuel Salazar (MDB), rebateu as acusações de crime de responsabilidade. Segundo Salazar, o pedido era “vazio” e não apresentava provas de dano ao erário.
“Não houve um real pago indevidamente a ninguém. O que vemos aqui é uma tentativa de desgastar o prefeito em ano de eleição utilizando uma pauta administrativa que já foi esclarecida”, pontuou o parlamentar.
O próprio prefeito João Campos já havia se manifestado anteriormente, classificando a denúncia como um ataque político que “instrumentaliza a causa PCD” para fins eleitorais.
Análise: O que significa o arquivamento?
Com o resultado, João Campos consolida sua governabilidade e evita o desgaste de uma comissão processante em um ano decisivo. Contudo, as imagens do “caos” na frente da Câmara e a narrativa de “galerias seletivas” devem ser o novo trunfo da oposição nas redes sociais para questionar a transparência da gestão.
O caso do concurso da Procuradoria, embora arquivado na esfera política da Câmara, segue sob o escrutínio da opinião pública e de possíveis desdobramentos jurídicos colaterais.